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quinta-feira, 14 de abril de 2011

"Bola de meia, bola de gude"

"Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão"

Música de Milton Nascimento
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Francisco Louça, BE, a moção de censura e o taticismo político

Francisco Louçã afirmou ontem, a propósito da Moção de Censura que o seu partido (BE) vai apresentar na Assembleia da República, que " ela foi no tempo certo, foi no momento certo, e trouxe para o debate político a vida destes dois milhões de trabalhadores precários, a recibo verde, dos desempregados, e as alternativas que queremos trazer”.
Ou seja, Francisco Louçã e o seu partido depois de uns quantos meses calados a apoiarem o candidato presidencial do PS (Manuel Alegre), lembrou-se agora que existem 2 milhões de trabalhadores precários, a recibo verde e desempregados em resultado das políticas que o PS e o candidato (Manuel Alegre), apoiado por Francisco Louça e o seu partido, aprovaram nos últimos anos.
Passado o silêncio cúmplice de uma campanha eleitoral, já pode de novo falar dos trabalhadores precários, a recibo verde e desempregados.
Fica por saber se Francisco Louçã e o seu partido (BE) largam os seus "princípios" pela táctica eleitoralista, ou se nem sequer os possuem.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Balada do Desespero"

"Porque nasceste, vives
Porque vivias cresceste
Porque cresceste tiveste
A sorte que não sabias
Porque estudaste aprendeste
As coisas de se saber
E outras inúteis de sobra
As coisas pr'a se esquecer
As coisas pr'a se esquecer

Porque cumpriste fizeste
O que te mandaram fazer
Os padres o pai a mãe
O professor o mais velho
O sargento o comandante
O senhorio a porteira
O ministro o governante
O cobrador o pedreiro
- esteja cá na terça-feira!
O bancário o carpinteiro
O homem do gás da luz
Da água do pão do leite
E acabaste cumprindo
Cumprindo tudo a preceito

Encomendaste gravatas
Fatos novos e sapatos
Dedicaste-te ao chinquilho
Talvez ao king ou à canastra
Fizeste um filho e outro filho
Nas horas livres, às vezes,
Em havendo futebol
Sentiste-te homem da tasca
Sentiste que eras uma besta
Mas segunda-feira cedo
Bem cedo bem matinal
Te achavas de novo pronto
Saindo para o mesmo emprego
Comprando o mesmo jornal

E sempre todos os dias
Cobiçaste a secretária
Do teu chefe o sr. Sousa
Para à noite pernas moídas
Tomares o trinta e sete
O carrinho ou a bicicleta
E regressando cansado
Do barulho e da cadência
Sentires-te reencontrado
Da solidão na indolência
De um canapé recostado
Pijama e televisão
Aquecedor paciência
Tudo muito bem ligado
Tudo muito bem sentado
Em conforto e concordância
Em conforto e anuência

Nas férias redecoraste-te
Bizarro na concepção
E arriscaste um figurino
Foste às compras de calção
E sorriste aos teus parceiros
De barraquinha na praia
E à senhoria vizinha
Que nunca tirou a saia
Calculem só os senhores
Agosto inteiro com saia

Aturaste a pequenada
Brigas birras fraldas caca
Apreciaste o traseiro
Da amiga do teu amigo
Rechonchudinha e mulata
uma grandíssima vaca
Viraste a cara em decoro
Não vão os putos ver isto
Espalhaste óleo pelas espaldas
Enquanto a tua mulher
Um pouco desconfiada
Desabrida e despeitada
Te exigiu
- Ó silva tu muda as fraldas!

Depois à noite porreiro
Caminhaste na avenida
Muito fresco e prazenteiro
Com a pança bem comida
Às vezes de um frango inteiro
Que não és homem dos fracos
Dos fracos não reza a história
E o Silva é alguém na vida
Homem de bem de memória
Contabilista da firma
Tal e tal rua da Glória
- Sempre que quiser já sabe
É uma casa às suas ordens…

E depois pelo caminho
Regressas gritas dás ordens
Amuas gritas dás ordens
Recuas gritas dás ordens
E ameaças o outro
Que ginou para este lado
- se calhar querias coitado!
E o camião chateado
De se ver ultrapassado

Regressas mais bronzeado
Mais gordo talvez mais magro
Mais velho um mês e quem sabe
Mais cansado que à partida

Regressas ao rame rame
Enquanto suspirarás
Todo o ano por um mês
Todo o mês por outra vida
Toda a vida por viver
Algo que te valha a pena
Ou então tu já nem sentes
E mentes-te enquanto mentes
E mentes e já não sentes
E já não sentes mas mentes

Ano a ano te esfolharam
Te roubaram prestações
Letras fantasmas viagens
Cromos selos colecções
Hálito fresco e saudável
Graxa sabão brilhantina

Mudaste a cor do salão
De azul para verde marinho
Do verde para um branquinho
E enfim para um castanho
um castanho mais clarinho…
E ao fim de tanto trocares
Baralhares e confundires
Rebentaste-te evitando
Evitando pelo menos
Teres enfim de destruir
Tudo o que creste ser branco
Ser belo ser valioso
Acabaste confundindo
Acabaste confundindo
Viver com reeducar-te

Passaste o tempo calcando
O que podias ter sido tu
Nu inteiro e pessoal
Pois que assim afinal
Foste um entre biliões
Que com morte natural
Tem uma cruz lega uns tostões
Vê o seu nome no Jornal
E cai podre numa cova
Em funeral

Não te ficou nem um gesto
Que não façam mais milhares
Não te ficou nem um risco
Um grito para espalhares
Não te ficou nem uma sobra
Uma intenção uma raiva
Foste é caso pra dizer
Parvo incapaz e castrado
Rastejante e tão honrado
Foste um escravo do dever
Um pobre mais um na selva

Repousa em paz meu rapaz"

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

" Estrela Natureza"

"Estrela natureza precisamos demais
De ter sempre por perto
Na calma e santa paz
Nos morros e nos campos
No sol e no sereno
Zelando por florestas
Cuidando dos animais
Mulher, e Mãe de todos
O que será de nós
Se a força do inimigo,
Calar a tua voz
Que sai dos passarinhos
Dos mares e dos rios
Dos vales preguiçosos
Dos velhos pantanais."

Composição: Sá/Guarabyra

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